Poucos lugares são tão preciosos quanto João Pessoa, na Paraíba. Tive a oportunidade de visitar a cidade “onde o sol nasce primeiro” no ano passado e, desde então, sonho em voltar para lá todos os dias. Sei que ainda falta conhecer muita coisa pela região, mas se tem um passeio que não deixei de fazer foi o tour pelo litoral Sul da Paraíba. Caso você esteja em dúvida se vale a pena encarar a atividade, é dela que falarei aqui.
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Antes, um pouco de história…
Fundada em 1585, João Pessoa é a terceira capital mais antiga do Brasil, atrás apenas de Salvador e Rio de Janeiro. Mas esse não é o único título que Jampa, como o município é carinhosamente chamado, carrega. A cidade também é a capital mais a leste do país, tendo o ponto mais oriental das Américas, na Praia dos Seixas. Por isso, em algumas épocas do ano, é lá que o sol nasce primeiro.
De forma bem resumida, João Pessoa foi criada pelos portugueses às margens do rio Sanhauá, o que facilitava a defesa territorial de possíveis ataques. Naquele tempo, a cidade era conhecida como Cidade Real de Nossa Senhora das Neves — um dos muitos nomes que recebeu. A nomenclatura atual foi adotada somente em 1930, uma homenagem ao então Governador da Paraíba, assassinado por motivações políticas.

Para além do contexto histórico, Jampa se destaca pela beleza de suas praias, por ter um povo hospitaleiro e por ser um dos destinos turísticos mais econômicos do Nordeste. Além disso, ouvi inúmeros elogios ao município enquanto estive na cidade, dos que estavam de passagem e dos próprios moradores. O custo de vida, infraestrutura, trânsito e tranquilidade foram só alguns dos pontos positivos que mencionaram.
Passeio de buggy
Enfim, agora que você já é íntimo de João Pessoa, podemos voltar ao assunto principal do texto. Fiz o passeio de buggy pelo litoral Sul da Paraíba com meu namorado e uma amiga, em setembro de 2022. Devido ao tempo, existe a possibilidade de alguma coisa ter mudado de lá para cá, como preços ou regras de visitação nas praias. De qualquer forma, vou contar um pouco da nossa experiência.
Saímos de Jampa bem cedo, às 8h, e voltamos apenas no final da tarde, por volta das 16h. Nosso bugueiro foi o Sávio, um senhor muito divertido e bastante comunicativo. Na época, o tour custou R$300,00 para três pessoas, bem em conta se compararmos com outras ofertas que aparecem pela cidade. Mas vale lembrar que estávamos fora da alta temporada e choveu durante a semana, o que pode influenciar no valor.

Praia de Barra de Gramame
Nossa primeira parada foi na Praia de Barra de Gramame. A área marca a divisa de Jampa com o município de Conde (onde a maioria das praias estão localizadas), além de ser lá que ocorre o encontro entre o rio Gramame e o mar. De acordo com o livro “História da Paraíba”, de Horácio de Almeida, o nome do lugar pode ter duas origens distintas.
Alguns acreditam que o termo “Gramame” vem de guaramame, palavra tupi-guarani que significa “o lugar dos guarás/dormitório dos guarás”. Outros defendem que vem de guira-mame, ou “bando de pássaros”. De fato, Sávio nos contou que antigamente o local abrigava muitas aves Guará, famosa por sua coloração vermelho-alaranjada. Hoje, a espécie já não é encontrada nessa região.


Praia do Amor
De volta ao buggy, fomos até a Praia do Amor, famosa pela “lenda dos apaixonados”. Segundo nos explicou Sávio, o nome da praia vem de uma pedra, cujo formato circular se assemelha à uma aliança. A lenda, por sua vez, diz que ali viviam duas tribos indígenas inimigas: os Tabajaras e os Potiguares.
Um dia, um jovem indígena passou por baixo da pedra e encontrou com uma jovem da outra tribo. Ele ficou apaixonado, mas ela se irritou com a invasão. Então, o jovem correu novamente para o outro lado da pedra e a moça o seguiu, mas acabou presa. A maré encheu, a jovem começou a se desesperar e foi ele quem a salvou. No fim, os dois acabaram se casando, unindo as tribos indígenas.
Obviamente, a lenda tem várias versões, mas foi essa que escutamos no passeio. Acredita-se que os casais que passam por baixo da formação rochosa terão sorte no amor e, por isso, inúmeras pessoas atravessam a abertura para garantir um futuro repleto de bênçãos — inclusive eu e meu namorado, claro. A pedra também marca a divisa entre a Praia do Amor e a Praia de Jacumã.

Praia de Tabatinga
Sávio contou que, em tupi-guarani, a palavra “taba” significa casa ou o lugar em que habitam os indígenas, enquanto “tinga” é branco. Logo, Tabatinga significaria casa branca. É um nome comum entre as praias e rios do Brasil, mas a de Paraíba se destaca pela sua paisagem com falésias e por possuir bastante argila branca, muito utilizada com o objetivo de rejuvenescer a pele.
Para facilitar o entendimento do local, costuma-se dividir a praia em Tabatinga I e Tabatinga II. Essa diferenciação ocorre a partir de um “maceió”, onde há o encontro da água doce com a água salgada. Assim como o mar, a lagoa é morna e ideal para banho.


Mirante Dedo de Deus e Mirante das Tartarugas
Minha parte favorita do passeio! Os mirantes ficam em uma falésia, um ao lado do outro. De lá de cima, oferecem uma vista espetacular das praias de Tabatinga e Coqueirinho. O acesso ao local é gratuito, mas a estrada íngreme de terra torna o processo um pouco mais complicado. Só é possível chegar por meio de buggy, moto ou carro.
Na entrada dos mirantes, há também diversas barracas com produtos locais. Tem artesanato, roupas, ímãs e várias outras opções, perfeito para quem curte levar uma lembrancinha para casa. Além disso, o local é cheio de placas coloridas com frases positivas.


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Praia de Coqueirinho
Claramente, uma das melhores praias para quem deseja aproveitar o mar com tranquilidade e conforto. De acordo com Sávio, a Praia de Coqueirinho já foi até eleita como uma das dez praias mais bonitas do Brasil, pela revista Guia Quatro Rodas. O nome do local se deve, claro, aos muitos coqueiros espalhados pela orla.
Para quem pretende passar o dia todo na praia, há diversas opções. Dá para relaxar nas piscinas naturais, mergulhar com equipamento, conhecer o Canyon de Coqueirinho, praticar surf e — principalmente — apreciar bem a paisagem. Por lá tem bastante infraestrutura, com vários bares e restaurantes.


Mirante Castelo da Princesa
Do Mirante Castelo da Princesa, pudemos apreciar o Canyon Coqueirinho. O nome do lugar se deve ao formato das falésias, que lembram torres de castelo. A paisagem é muito surreal, pois combina o azul do mar, os tons de vermelho das rochas e o verde da vegetação nativa.
Não ficamos muito tempo por lá, mas o suficiente para garantir fotos bem bonitas. O céu estava finalmente abrindo, então o mar passou a atingir a cor turquesa de que tanto ouvimos falar.

Praia de Tambaba
Nossa última parada foi a Praia de Tambaba, uma das três principais praias reconhecidas como praia de naturismo no Brasil. Mas não se preocupe, há o lado em que as roupas são proibidas e o lado em que é proibido ficar sem roupas. Fomos na parte não naturista, famosa por ter um coqueiro que nasceu em uma pedra.
A parte naturista é sinalizada por uma placa e quem quiser conhecer precisa seguir algumas regras básicas. A primeira condição para adentrar esse lado da praia é, obviamente, estar nu. As outras duas regras proíbem qualquer tipo de prática sexual e a entrada de homens desacompanhados de mulheres ou com o passaporte de naturista desatualizado.


Se ainda não ficou claro, recomendo demais o passeio de buggy pelas praias do litoral Sul da Paraíba. Além disso tudo que contei, também paramos rapidamente para almoçar em Praia Bela e visitar o Shopping Rural Tambaba. Gostaria de ter aproveitado mais, mas as chuvas ao longo da semana atrapalharam um pouco a experiência. Veja como evitá-las:
Quando ir
Como já mencionei, viajamos para Jampa em setembro. Não que tenha “caído o mundo” enquanto estávamos lá, mas nos primeiros dias choveu bastante no período da manhã. Isso significa que o mar ficou mexido e, consequentemente, não vimos muito daquela água azul/verde característica da região.
Dei uma pesquisada e a estação mais chuvosa realmente é entre fevereiro e setembro. Por outro lado, a mais seca é de outubro a janeiro. Então, caso tenha interesse em visitar João Pessoa ou o litoral Sul da Paraíba como um todo, recomendo que vá próximo ao mês de dezembro ou janeiro.
Outra dica legal é acompanhar a tábua de marés para aproveitar ainda mais as praias. As piscinas naturais, por exemplo, ficam aparentes durante a maré baixa. Se fizer um passeio guiado, é bem provável que saibam explicar sobre o assunto, mas aqui estão alguns sites que disponibilizam essa tabela: Tábua de Marés e Marinha do Brasil.
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Sempre verifique o valor dos ingressos, dias de funcionamento e horários atualizados dos locais e atividades turísticas.



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